"A solidão é uma bailarina que necessita dançar pra viver. Ela precisa de um espaço vazio, que ninguém à veja dançar até que esteja pronta para o fazer em outros cantos. Um lugar que não pague mensalidade e se errar o passo, possa gritar ,quebrar o chão e as paredes; um canto que lhe alimente e aconchegue pra ganhar vida e assim não deixar de existir, e esse lugar ela encontra em mim."
"As coisas são estranhas. Ás vezes, quando parece tudo sem sentindo, algo se move no espaço e nos dá um lampejo.” Vai ver a gente precise de alguém que rasgue nossa pele e exponha a nossa alma para o universo poder curar. Eu queria dizer que esse alguém existe nesse planeta e que está a nossa procura. Mas há tantas esquinas. E há tantas pupilas precisando de luz. Tantas marcas de calcanhares pelo chão. Tantos corpos procurando por alguém que lhes ajudem a ter um pouco de paz no coração, que eu me encolho. Me envolvo. Me guardo. Na maior parte é medo. Eu me digo tão bem convivendo com esse imenso buraco negro que devora tudo de bom que há mim, mas é mentira. Não acredite na minha cara de bom moço e dos sorrisos de propaganda de pasta dental. Eu sou fraco. Os ossos que me sustentam se desfalecem a cada passada que o universo dá. Eu lembro que em uma de nossos tantos diálogos existências você me falou bem baixinho, num sussurro cansado como se quisesse guardar isso para si mesmo, mas não aguentasse mais sentir trancando a garganta. “Tudo bem se não der certo. E tudo bem se der também.” Um descanso tão grande com a tua essência. Me trespassou no corpo um sentimento de solidão tão grande que minha alma se encolheu assustada dentro do corpo. Porque ela também senti isso. Porque ela sabe que eu na maior parte do tempo não tenho forças para protegê-la. Eu queria ter fé. Como essas pessoas cheias de vida que caminham tão leves que parecem flutuar. Eu nem consigo chegar perto delas. Como se o que eu tenho de ruim fosse afetá-las de alguma forma. Eu me volto pra quem tem a mesma alma que a minha. Pra quem acorda exausto de uma vida cheia de arranhões e sente cada parte do corpo morrer aos pouquinhos. E mesmo assim faz as pálpebras se moverem. Faz o ar ventilar a pele. Faz a alma se mover e gerar vida. É instinto. Algo selvagem que soca as minhas caixas torácicas me forçando a sobreviver. Combatendo continuamente a vontade imensa que tenho de ficar dentro de mim escutando ás vozes de lamento de tudo aquilo que eu deveria ser e não consegui ou me foi negado. É sadomasoquismo. Mas quando essas vozes furam meus tímpanos eu sinto que não é paranoia minha. Que talvez nem tudo venha na minha incapacidade humana de ter fé. Dizem que tudo depende da nossa vontade. Do que a gente sente. Do que a gente é. Mas essa é grande questão: eu n-ã-o sou d-e-f-i-n-i-v-é-l. Eu sou imenso. A cada di um “eu” se manifesta. Eu sinto as coisas a minhas volta ao máximo. Tudo me afeta. Tudo me machuca. Tudo me comove. E não é questão de ser sensível. É que eu não sei permanecer nesse mundo sentindo apenas as minhas dores, as minhas perdas, as minhas paixões devastadoras. Acredito que nossa alma é feita de um conjunto de constelações, e que cada constelação pertence a alma de uma pessoa que tocou a nossa vida. A nossa alma é uma porção luminosa do céu. Que ás vezes ofusca todas as outras constelações. Mas por outras é engolida pela escuridão. Como nesses últimos dias. Eu sinto um vazio devastador. E entendo que você não se importe se isso afeta ou não a sua vida. Entretanto é nessas horas quando eu sinto meu corpo tão pesado que de repente me bate uma paz. Uma calmaria tão grande. Tão profunda. Não chega a extinguir o tormento que minha alma passa, mas me faz olhar de forma diferente para os nuances das coisas a minha volta. Ai eu percebo que eu não preciso provar mais nada. Que o universo não precisa mais exigir tanto de mim. Que eu não preciso me abalar com expectativas frustradas. Que eu não preciso ser feliz o tempo todo. O meu interior reflete o estado em que minha essência se encontra. Se algo em mim me fizer sentir que tenho fé suficiente pra me tornar melhor, então eu irei. Mas não de maneira forçada. Tentando fazer minha alma transparecer aquilo que ela não é. Isso sim é masoquismo. Isso sim machuca. Isso sim causa feridas profundas. Por isso eu te falo: A gente pode ser tristes juntos. E merecer ser feliz logo depois."
"Meu bem, alguém precisa lhe dizer que você se sabota. A vida bate à sua porta quantas vezes ao dia? Tão ocupada com a fórmula dos outros que nem percebeu. Tentei ver apenas o belo e te fazer moradia. Ah, esses amores de éter - você me teve e me perdeu."
"Não sei poesia. Só sei que existe a regra dos porquês. E assim como o antropocentrismo é termo que vem da Grécia, eu vou conjugando, porque eu não sei poesia. Só sei da língua rebuscada que passeia nesse céu. Dessa inversão do azul de leste a oeste. Sei desse teimoso oximoro que veio da Grécia, também. Só sei dessas duas estrofes, sei desses quatro versos, mas poesia eu não sei. Sei do grego Leucipo e suas nobres contribuições para o conhecimento humano. Se ele sabe poesia, eu não sei. Mas sei que como diria Platão: o corpo limita a alma como uma prisão. Sei que Grécia não rima aqui, mas como eu não sei poesia, não faz mal que eu assine meu nome. O que não posso, é esquecer das vírgulas."
A noite é a uma criança e seu crescimento é lento.

Encontro-me: num quarto de quatro camas de solteiros, um guarda-roupa também de solteiro, todos antigos amadeirados. São 2:45 da madrugada, e o ventilador preso na parede não faz efeito. O suor escorre pelas costas, pernilongos me sugam, meus pensamentos me amedrontam. Minha mente cria imagens que não me agradam, sinto medo. Me sinto presa, me sinto só. R

(Fonte: undicola, via oxigenio-dapalavra)

"No fim de tudo a gente fica se perguntando: Por que não deu certo? E a resposta clássica e indiscutível: Não era pra ser."

no meio de tudo há uma dor
um buraco negro sem fundo
que suga tudo ao redor
engole, mastiga, escurece
em toda a minha vida
nunca havia visto uma saída
hoje eu vejo a poesia

Elisa Bartlett

(Fonte: oxigenio-dapalavra, via oxigenio-dapalavra)